Genealogia Sul-Brasileira

Info. Históricas


Felisberto CALDEIRA BRANT

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O terceiro contrato para a extração de diamantes na cidade do Tijuco (1 de janeiro de 1748 a 31 de dezembro de 1751) arrematou-o Felisberto Caldeira Brant, que em particular se associou com seus irmãos Sebastião, Joaquim e Conrado. (Segundo alguns historiadores, o período foi de 1749 - 1752)

Felisberto Caldeira Brant, mineiro feliz e audacioso, chegou a ser muitas vezes milionário. Teve começo sua fortuna, por 1735, com o descobrimento das minas de Goiás. Em 1744, como tomassem parte em motins de protesto contra o quinto, esposando a causa popular, os Caldeiras viram-se obrigados a deixar Goiás, donde passaram a Paracatu, cujas minas acabavam de ser descobertas. Aí Felisberto conseguiu riquezas fabulosas mas, não contente com as dezessete oitavas de ouro que cada um de seus trabalhadores tirava por dia, foi para o Tijuco afim de arrematar o terceiro contrato de diamantes.

No tempo dos Caldeiras cresceu a população e com ela o bem estar dos tijuquenses. A um intendente enfermo sucedia outro valetudinário, nomeado interinamente. Demais, o contratador não perseguia os garimpeiros e parecia tolerar o contrabando. Com isso, muitos se enriqueceram, vivendo no luxo e na opulência. Dominava o espírito frívolo do século XVIII, preocupado com a elegância dos trajes, o requinte das maneiras e as regras do bom tom. A preocupação dominante era imitar a corte, de onde vinham até professores de civilidade.

Sabedor do desamparo em que se achavam os negócios da colônia, acudiu o governador ao Tijuco, fazendo-se preceder de ordens severas que encontrou descumpridas. Afastou o intendente e nomeou seu sucessor, em 1751, Sancho de Andrade Castro e Lanções que, dizendo-se munido de ordens secretas, apertou a vigilância e fez recrudecer o vexame dos colonos, perseguindo particularmente os Caldeiras.

Iam prósperos os negócios da companhia. O produto dos diamantes dava para fazer face às despesas do contrato, saldar as contas com a Coroa e ainda sobrava numerário para distribuir dividendos. Mas em 1752 sofreu grande prejuízo com o misterioso roubo do cofre da intendência, no qual estava guardada grande cópia de ouro e diamante pertencente ao contrato. É o início do declínio do contratador.

Entrementes, maus fados perseguiam a mineração em Goiás, onde os Caldeiras tinham a trabalhar escravos captados que tiveram de ir apra o Tijuco, segundo a concessão de novo ajuste. Além disso, o advento do Marques de Pombal pos em desgraça amigos e protetores dos Caldeiras.

Por esse tempo, deu-se um episódio que ia desencadear as perseguições que trouxeram a ruína de Felisberto Caldeira Brant. Foi na semana santa de 1752. À festa compareceu o ouvidor da Vila do Príncipe Dr. José Pinto de Morais Bacelar que, imbuído do filosofismo dominante na época, se comportou no templo de maneira inconveniente, com grande escândalo dos tijuquenses. Em dado momento, querendo demonstrar sua admiração por linda jovem parenta dos Caldeiras, atirou-lhe ao colo uma flor, que ela repeliu com dignidade. Correu no meio da assistência um murmúrio de revolta. Subiu ao cúmulo a indignação de Felisberto que, dizendo ao ouvidor palavras em segredo, foi esperá-lo à porta da igreja. Ao fim da festa, exigiu-lhe satisfações e, depois de uma discussão, deu-lhe uma punhalada que não o ofendeu por se ter resvalado em um botão de metal de sua casaca. Chegava a tropa que o intendente mandara chamar. O povo, unido aos pedestres do contrato, estava disposto a resistir. A intervenção de amigos e do venerável padre Cambraia evitou que muito sangue corresse.

O intendente, que se colocara ao lado do ouvidor, não cessou de perseguir a Felisberto por todos os meios, já formando-lhe processos injusto, já pondo empecilhos aos seus trabalhos de mineração e, enquanto se dava a el-Rei parte do ocorrido, o contratador mandava um próprio a Gomes Freire de Andrade, levando sua queixa contra o procedimento do intendente. Gomes Freire determinou que viesse ao Tijuco o governador interino José Antônio Freire de Andrade que, embora apurasse a procedência das alegações, nada obteve de Lanções, renitente em seus propósitos e cioso de sua autoridade.

Queixas e acusações contra os Caldeiras, inspiradas principalmente pelo ouvidor Bacelar, eram endereçadas ao governo de Lisboa. Diziam até que, com grande poder granjeado, queriam tornar o Tijuco independente, franqueando ao povo as minas.

Mas era preciso um motivo concreto para prender a Felisberto Caldeira Brant, sem aumentar a irritação do povo com violências baseadas em simples presunções. Foi fácil encontrar esse pretexto. O contratador não podia de pronto pagar o alcance em que estava com a Coroa. Sacou uma letra de setecentos mil cruzados contra os caixas de sociedade em Lisboa em favor da fazenda real, prometendo-lhes na primeira ocasião remeter os diamantes, que já existiam extraídos. Como, por falta de fundos suficientes, os caixas não puderam ou não quiseram aceitá-la, a letra foi recambiada ao Tijuco. Com isso, prendeu-se o contratador e sequestraram-lhe os bens como falido.

Felisberto foi acusado de ter arrombado um cofre em que os diamantes da coroa eram guardados. Este cofre tinha seis fechaduras, duas chaves estavam em poder do intendente do distrito dos diamantes, uma em poder do contratador, e as outras três em poder dos empregados do intendente. Se o cofre foi aberto ou arrombado quando estava depositado na intendência, todas as pessoas qeu tinham as chaves eram igualmente responsáveis, mas sendo uma pessoa só a perseguida - o contratador - e arruinado, prova evidentemente que seu grande poder, sua riqueza e popularidade é que foram a causa da perseguição injusta que ele sofreu.

Entre as acusações do ouvidor a Felisberto Caldeira Brant figura o seguinte: "... finalmente que a família dos Caldeiras tinha-se tornado aqui muito poderosa e temida, e que todos lhe obedeciam cegamente: e assim eles procuravam subtrair-se do domínio real, e queriam tornar o Tijuco independente, para o que tinham prometido franquear aos povos as lavras diamantinas: o que era um mau exemplo para os outros povos do Brasil."

Efetuada a prisão com toda a cautela, Felisberto Caldeira Brant foi mandado para o Rio, donde passou para o Limoeiro, em Lisboa.

O terremoto de 1o. de novermbro de 1755 ofereceu oportunidade à fuga de muitos detentos. Caldeira Brant, porém, apresentou-se ao Marques de Pombal, perguntando-lhe para onde devia ir. Admirou-se o ministro D. José I, que logo comunicou o ocorrido aos brasileiros João Pereira Ramos, ao bispo de Coimbra e ao general Godinho, que procuraram demonstrar a inocência do antigo contratador, vítima de intrigas e perfídias. Pombal deu-lhe a liberdade e ordenou que se procedesse a liquidação de suas contas e ao exame do sequestro de seus bens.

Gravemente enfermo, Felisberto Caldeira Brant, que estivera preso durante cinco anos, retirou-se para Caldas da Rainha, onde veio a falecer.

A família Caldeira Brant move, desde os anos sessenta, uma ação judicial de indenização no tribunal internacional de Haya, contra Portugal. O valor confiscado da família Caldeira Brant foi de 30 toneladas de ouro e a casa que hoje é o palácio do Arcebispado de Diamantina. O valor de hoje (1997) seria a bagatela de 390 milhões de dólares!


Felisberto CALDEIRA BRANT

Acompanhou seu pai a Lisboa e foi uma das vítimas do terremoto de 1755.


Antônio Ambrósio CALDEIRA BRANT

Veio para o Brasil em princípios de 1700. Não se sabe ao certo o ano, mas com certeza sabe-se que se achava em Minas Gerais em 1708, quando foi mandado pelo Governador com tropas para acabar com a guerra civil entre paulistas e emboabas, no Rio das Mortes, no sul da província de Minas Gerais.

O nome "Caldeira", adotado por Ambrósio e seus descendentes, é a tradução do nome "Keteler" de sua avó, Cornélia.


Conrado CALDEIRA BRANT

Juntamente com seus irmãos Joaquim e Sebastião, associou-se ao outro irmão, Felisberto Caldeira Brant, terceiro contratador para a extração de diamantes na cidade de Diamantina.


Gregório CALDEIRA BRANT

Gregório e Anna eram primos.

Acompanhou seu pai à Lisboa. Depois que seu pai morreu, obteve do governo português um decreto absolvendo seu pai e voltou para Minas Gerais.

Procedendo para obter a restituição da propriedade ilegalmente confiscada, foi envenenado e morreu jovem.

Os descendentes de Gregório nunca obtiveram do governo português a restituição da propriedade confiscada nem o pagamento das grandes quantias de dinheiro pela qual reclamaram por anos.


José CALDEIRA BRANT

Morreu na minoridade.


Ildefonso DE OLIVEIRA CALDEIRA BRANT

Visconde de Gericinó.

Gentil Homem de Dom Pedro I, Imperador do Brasil.

Comendador da ordem de Christo.

Faleceu solteiro.


Francisco CALDEIRA BRANT

Morreu na minoridade.


Thomás CALDEIRA BRANT

Morreu na minoridade.


Anna CALDEIRA BRANT

Morreu na minoridade.


Pedro DÍAS DE MACEDO PAES LEME

Marques de Guiyesarnoby(?).

Gentil Homem de Pedro I e Pedro II.

Comendador da ordem de Christo.


Francisca DE MACEDO PAES LEME

Faleceu solteira